Blógui-Ci!

Um blog sobre Ciência

Sinais de uma pseudociência

“A pseudociência pode ser declarada enganosa, ou pode ser o resultado de uma forma errônea ou tendenciosa de pensar. Qualquer que seja o caso, a pseudociência é um negócio muito grande. É enorme o mercado existente para ímãs com propriedades terapêuticas, dispositivos de proteção contra campos magnéticos, esquemas que proveêm energia livre infinita e quaisquer outros frutos do irracional.
Os cientistas devem manter suas mentes abertas, devem estar preparados para aceitar novas descobertas, e a serem surpreendidos por novas evidências. Mas eles também têm a responsabilidade de falar quando o público está sendo iludido por pseudocientistas cujas afirmações são desprovidas de substância.”
HEWITT, Paul: Física Conceitual, p.412

Este trecho fala sobre as terapias magnéticas que existem pelo mundo afora, mas que não foram demonstradas evidências de que funcionam. E como o próprio autor diz, é um negócio lucrativo, pois se vendem ímãs simples como se houvessem algum fator medicinal neles.

Mas este é um dos exemplos dentre muitos outros.

Hoje em dia há muitos os que alegam construir teorias que são melhores que a física quântica ou a relatividade. O fazem, talvez por estas teorias ainda serem novas, pois completaram só 100 anos recentemente. E portanto ainda não estarem no cotidiano dos leigos.

Ou então, ao invés de alegar que são melhores, tentam associar a física quântica ou a relatividade com o que quer que seja tentando dar uma aura científica onde não há ou dar certezas onde não existe nenhuma.

Mas como fazer com que uma pessoa comum possa identificar se aquilo que ela lê ou assiste é pseudociência?

Bom, o professor Robert L. Park (autor do livro “Voodoo Science: The Road From Foolishness to Fraud” e catedrático de física na Universidade de Maryland) escreveu para o Chronicle Review, um modo de como reconhecer se algo é pseudociência. O seu artigo se chama “Os sete sinais de aviso de uma pseudociência” do qual coloco aqui um resumo brevíssimo com os sinais:

1- O pesquisador expõe sua descoberta diretamente na mídia;
2- O pesquisador alega que forças do “status quo”  boicotam seu trabalho;
3- O efeito alegado sempre está no limite do experimentalmente detectável;
4- A evidência da descoberta é anedótica, ou seja, é uma evidência pessoal que nunca foi comprovada cientificamente.
5- O pesquisador diz que alguma crença tem crédito pelo simples fato desta ter durado por séculos;
6- O pesquisador trabalhou em isolamento;
7- O pesquisador precisa propor novas leis da natureza para poder explicar sua descoberta;

Se você quiser se aprofundar um pouco mais no assunto, existe um livro que discute como a ciência pode ser distorcida para dar origem a conhecimentos no mínimo duvidosos quando não enganosos para proveito ($$) de alguns.

A impostura científica em dez lições
Michel de Pracontal

Um manual da farsa científica, em dez lições. É assim que o autor trata da pseudociência, atraente e difundida na atualidade. Serve tanto como um “manual de uso” àqueles que pretendem se aperfeiçoar na prática do charlatanismo quanto um alerta aos incautos contra as práticas daqueles que, empunhando a bandeira da ciência, pretendem burlar os preceitos da racionalidade científica.

Escrito por Norberto Kawakami em 22 julho 2006
Nos Temas: Ciência | sem comentários

Sugestões de leitura...