Será que os meios justificam os fins? E será que fazer uma divulgação científica, mesmo que torta, vale a pena? Pergunto isto, porque algumas pessoas com cultura científica ao assistirem o filme (?!) “Quem somos nós?” disseram que mesmo não sendo uma divulgação científica, valia a pena ser assistido já que poderia atrair curiosos na direção da física quântica.
É certo que isto aconteceu, mas a visão que é passada pelo filme é tão distorcida (caso queira ler algumas críticas ao filme recomendo os artigos O Guia Cético para assistir a “What the Bleep do We Know?” Parte 1 e Parte 2 do blog Dragão da Garagem) que quando alguém ligado à ciência tenta explicar os erros, os leigos tendem a achar que esta pessoa não chegou a entender a proposta. E estes leigos nunca dão o braço a torcer, ou seja, admitir que por entender pouco do que é ciência, aceita-se tudo o que é dito no filme como se fosse verdadeiro.
O que aconteceu para que alguém que seja considerado um intelectual não tenha sequer o mínino de cultura científica? Que não saiba distinguir ciência do que não é? Será que isto não é resultado de uma disputa idiota entre as ciências exatas e humanas? Que ter lido Dostoiévski, Platão, Weber, Focault, Baudrillard, etc, etc, é in mesmo que não tenha entendido patavinas e que entender um pouco de matemática, física, química, biologia é coisa de geek ou nerd?
Enfim, se você quer se tornar um bleepado, nada contra. Vá em frente, se é isto o que você deseja. Mas como tudo na vida, é sempre melhor saber onde se está pisando antes de dar o próximo passo. Agora, se você está dando mesmo é um salto de fé, que pelo menos ela seja consciente.
Escrito por
Norberto Kawakami em 4 janeiro 2007
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Normalmente as críticas da comunidade científica que são direcionadas para os físicos Amit Goswami, Fritjof Capra et all são devido a se querer dar um caráter de TEORIA científica à uma INTERPRETAÇÃO pessoal de cada um deles. Para que elas sejam incorporadas pela ciência deveriam passar pelo crivo do método científico, o que infelizmente não passam. As obras destes autores refletem a sua própria cosmovisão, uma interpretação pessoal dos fenômenos, mas que por não se adequarem à metodologia científica, eles não estão fazendo ciência.
Mesmo quando Von Neumann diz que a consciência é necessária para que haja o colapso da função de onda, isso não chega a ser um fato, mas apenas uma INTERPRETAÇÃO de um fenômeno físico. Do mesmo modo que existem diversas outras interpretações da física quântica, dentre elas, uma que diz que não existe esse negócio de um sistema físico estar em vários estados simultaneamente antes de efetuarmos a medida (veja Quantum Mechanics Ensemble Interpretation) e aí se pergunta: qual seria o papel da consciência nesta interpretação?
Se a consciência não é algo mensurável, como posso afirmar que ela existe?
E mais ainda, como posso afirmar que algo que nem tenho certeza que existe faz alguma coisa?
Outro ponto a salientar é que em ciência não se deve incorrer no erro de argumentação por autoridade. Independentemente de quem seja o interlocutor, ele deve apresentar idéias que sejam comprováveis ou refutáveis… Ou seja, apenas o título em qualquer especialidade não faz com que qualquer coisa que o interlocutor diga seja ciência. Na maioria das vezes eles estão dando apenas uma INTERPRETAÇÃO do fenômeno.
Então como diferenciar entre o que é uma TEORIA e o que é uma INTERPRETAÇÃO?
A resposta já foi dada em parte quando foi dito que uma teoria necessita prever resultados que possam ser comprovados ou refutados.
É fácil: Se alguém está falando sobre algo que possa ser comprovado ou refutado experimentalmente, então ele está falando de alguma TEORIA. Agora se esse algo não pode ser testado por experimentos, aí ele está dando uma INTERPRETAÇÃO. E neste caso pode ser qualquer uma, inclusive aquela que se gostar mais…
Escrito por
Norberto Kawakami em 4 março 2006
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