No episódio Miracle (Milagre) da série Eleventh Hour aparece uma cena em que o cientista consultor do FBI – Jacob Hood – faz um teste para ver se a água milagrosa que as pessoas estavam tomando era uma água normal ou tinha alguma coisa estranha nele. E o teste que ele faz é simples. Colocou uma cuba com água da torneira e outra cuba com água milagrosa e as deixou no congelador.
Resultado?
Ambas viraram gelo. O gelo, como vocês sabem, quando colocada num recipiente com água, ele flutua.
Mas o gelo da água milagrosa afundou!!!
Daí ele concluiu que aquela água era água pesada, ou seja, ao invés de ser H2O – 2 átomos de hidrogênio e um átomo de oxigênio – era D2O – 2 átomos de deutério e um átomo de oxigênio. Isso me pareceu estranho, então resolvi procurar na internet se existia alguma informação sobre o assunto e encontrei o vídeo abaixo:
Sensacional. Vivendo e aprendendo assistindo TV. Coisa rara nos dias atuais…
Eu descobri a Astronomia quando era criança durante uma coleção de fascículos de uma enciclopédia chamada Conhecer. Eram aproximadamente 150 fascículos editados semanalmente, o que significava que ficávamos anos para completá-la.
A cada semana esperava que o céu e as estrelas aparecessem naquelas poucas páginas e me desvendassem alguns mistérios que eu nem sabia que existiam. Por lá, descobri que o Sol, antes um ente quase sagrado, era na verdade uma estrela. Depois vi que nem era uma das maiores, inclusive sendo até pequena em relação a Antares que estava a uns 500 anos-luz de distância. E pior, vi que ele era uma dentre os porrilhões de estrelas que existem na Via-Láctea, nossa galáxia. E pior ainda, a Via-Láctea era uma galáxia dentre outros porrilhões de galáxias.
E lá estava eu, um garoto de 10 anos tentando entender essa imensidão e descobrindo que só uma vida não era o suficiente para conhecer tudo o que havia no universo. Lembro-me que nessa época, um dos meus maiores pesares era que não poderia viver o suficiente para poder descobrir o que iria acontecer dali a 200 ou 500 anos. Um peso muito grande para carregar caso não houvesse descoberto a Ficção Científica. Mas essa é uma estória que contarei outro dia…
Talvez tenha sido aí que a minha vontade de estudar Física tenha nascido. E com tudo que aprendi, consegui sossegar a alma ao encontrar poesia no que há na natureza. Estudando Cosmologia foi possível descobrir que nós somos a poeira das estrelas. E com isso, achar a conexão do ser humano com o universo, coisa que faltava entender desde a minha infância e adolescência.
A partir disso, é fácil admirar uma Conjunção Lua, Mercúrio, Júpiter e Marte por aquilo que simplesmente ela é: a visão do universo pelo ponto de vista do ser-humano.
As ciências podem ser apreciadas, como as artes. Para quem aprende a relacionar simetrias com leis de conservação, irreversibilidade do tempo com rendimento de máquinas, ou brilho das estrelas com fusões nucleares, o prazer no conhecimento é tão grande quanto seu sentido prático ou filosófico. Este livro apresenta esses e outros aspectos das ciências, das aplicações tecnológicas à cosmologia, mostrando a física como um grande jogo de encontrar invariantes em processos de transformação, e de unificar explicações, abrangendo o maior número de fenômenos com um mínimo de leis. Turbinas, lasers e raios cósmicos são tratados no mesmo contexto em que se revela como os conceitos de espaço e tempo, de calor e ordens, de matéria e radiações foram concebidos nos fundamentos clássicos da física e foram transformados pelas teorias relativistas e quânticas.